Acerca do envelhecimento parece-me que existem corpos velhos em mentes novas, novas mentes em corpos velhos, e os disfarçados pelas novas tecnologias e engenharia cosmética, que empobrece por dentro uma alma já por si empobrecida. Sermos iguais aos nossos filhos e acharmos que temos a energia dos nossos netos é antinatural. A serenidade dos nossos velhos traços são ensinamento, são mensagem, são mistério e história. Alguém que se reduz no tempo, e ao tempo, e tem como móbil a juventude, vive empobrecido por um espírito que envelheceu. Quem traz nas rugas o ensinamento, é alguém que não quer parar de aprender, que desmistifica no mistério do envelhecimento a natureza que construiu com a observação e a experiência. Alguém que fala de madrugadas, de viagens, de afectos, de erros, de acertos, de poesia e de poetas, de contadores de historias, de revoluções, de paz, de marés, de amigos, de fogueiras, de saudade, de desejo, de céu, de mar, e de esperança, é alguém vivo, sedutor e que sabe ...