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Gosto de ser rijo!... :-)

  Num sorriso deito uma corda ao arco-íris e balanço-me. Descanso das noites em que acordo sem dormir. Das noites em que não paro de escrever, com luz ténue e tremula. Das noites em que misturo pensamentos, sentires, textos assimilados, café com bolachas, agua, chá, cigarros de varanda e lua. Noite em que revejo o descer para Tarifa debruada com montes marroquinos. Misturo tudo e teimo em não me deitar. São as noites que movem os dias, em que pela manha despejo as leituras noctívagas. Almoço agua e começa a empreitada seguinte. È assim dia após dias nos últimos cinco Janeiros e Junhos, por vezes prolongados com Fevereiros e Setembros. Esconde-se já o próximo Junho. Mostra-se já o próximo Setembro. Não é o fim, é apenas uma etapa que se dobra com a próxima. Não quero mais parar. Não me apetece. O cansaço e a pressão altera-me o estado de espírito. Não nasci para viver sóbrio. Alienar-me condena-me. Acordado, roubo mais tempo ao tempo que me resta dormir. Contemplo instante após instante...

Contrabandista !...

O rosto enrugado pela dureza do frio esbatia-se na sombra do seu corpo ao passar. As mãos fortes enfeitadas de dedos grossos eram seguras. Passou de assalto anos a fio, as madrugadas de Espanha para Portugal, curvado pelo peso do medo de ser preso. A morte escondia-se diariamente entre os ribeiros e as pedras que tão bem conhecia. Os seus olhos desconfiavam de cada movimento á sua volta. O olharento vigor onde depositava o seu olhar, era trocado pelo ar frio e distante com que se habitou a ver, sem olhar. Sabia bem distinguir o cheiro do pão que lhe conduzia a viagem. De sete horas nocturnas eram feitos os seus dias. A polícia ainda hoje lhe mete nojo. Um nojo miserável. Nojo pelos tiros que não o alcançaram. Pelos roubos e pelas prisões que lhe prometeram, em nome da liberdade. Passava café aos quilómetros, entre o frio espesso e as pedras duras do caminho. Calculava que cada pedra tinha mil anos. A fome da refeição que o aguardava, fazia-lhe cada passo mais firme que o anterior. As e...

Que se foda o natal!......

Não posso deixar de exprimir o meu desacordo sobre os gastos supérfluos que um País falido faz com a época a que chamam hipocritamente Natal. Sou da opinião, que aquando do baptismo ou outro sacramento qualquer natalício (de nascimento), se explicasse logo ás crianças que o natal é um a treta, que o natal é uma mentira inventada para escoar produtos não vendáveis, oferecer cobertores e uma refeição aos sem abrigo, para purgar a alma dos que enriquecem sem escrúpulos. No tratado de Kioto, devia de haver uma cláusula proibitiva dos gastos energéticos despropositados e economicamente insustentáveis, ou melhor sustentados sempre pelos mesmos. Nós, os contribuintes. Deviam-se apagar as luzes e não acende-las. Que parvoíce, que despropósito. Que se foda o natal!......

As ondas enrolam o sonho

Acordei dum desassossego mudo. Sonhei com felicidade. Tamanha loucura mete-me medo. Felicidade. O cheiro a terra semeada de solidão embrenha-se-me pelos poros adentro. O sol pinta a minha resistência. As palavras são surdas e duras quando em confronto. São escorreitas e doces aquando em dança celebram verdade. Gosto de cegar e ver pessoas a passar. Cada passo segue uma direcção. Cada passada obedece ao sentido que lhe é ordenado. Observo a tristeza de um olhar que não enfrenta. Reajo aos risos. Entendo os sorrisos e as lágrimas que se aglutinam na rua feita de movimento. Cego, decido olhar. Subo, desço e vivo a vida na fantasia que construo com a minha cegueira. As crianças contemplam com olhar de descoberta, enquanto passeiam balões pela mão. Caminham em correria com se cada pedaço de passeio fosse um jardim imaginário. Como se cada declive fosse um baloiço, como se cada baloiço estivesse habitado por outra criança. Subo a direcção do Chiado prendido á esquina onde ecoam alfarrabistas...

11.09.2007

11.09.2007 musica tocada pelo vento e vou. Levo uma bomba pronta a detonar. Entrego-a em mão ao destinatário. Mando-me para o chão agarrado a nuca á espera do estouro. Três meses em horas já lá vão. Explodiu? Não senti. Aos poucochinhos fui sentindo aqui e ali pequenas explosões, á medida que ia sendo detonada com cuidado, com muita cautela. Senti a pele arrepiada pela sua pujança, em pequenos momentos que teimei registar. A bomba dividiu-se em pequenas partículas. Converteu-se numa força de bem, e, de bem-querer. Perdura forte. Tem a primazia da transformação. Ontem, enquanto ouvia as preocupações de um sobrado, revivi a quimera do Amor. A quimera fez-se de luz. Oiço-a na respiração das madrugadas que acordam de manha. Oiço-a no bater do mar, no rochedo do farol que dá para a serra. As angústias são caminhos de reencontro. As partidas são imaginadas com os regressos. Sinto fervilhar o sangue, numa ebulição para alem da temperatura das alterações gasosas. Sinto as intempéries desceram ...

A Alma...

A natureza é um conjunto de respostas á vida. Os sorrisos encaminham-me. Se acredito no regresso terapêutico á infância e na regressão, então, serei obviamente obrigado a acreditar na vida eterna. A liberdade doutra forma seria um inútil e estéril conceito. Não choro perdas. Choro a dor da saudade. A dor da saudade de estar. A dor da saudade de abraçar, as longas viagens. Sou vulnerável quando pousa em mim uma manha cinza de Outono. Fico ébrio quando uma madrugada de Julho me abraça. Sou equilíbrio quando ma toca nos lábios, incertezas primaveris. As estações são etapas de moderação e euforia. O sol chama-me tanto como a chuva. A chuva entrega-ma a casa. O sol oferece-me a rua e as noites. Não sou resultado das minhas escolhas, das minhas “companhias”. Sou eu próprio como resultado das estações. Deprimo com a euforia. Gosto “tanto tanto” da minha solidão. O meu silêncio brinda-me com ideias sublimes. Saio de mim e volto. Tenho finalmente conhecimento do que é a a...

Feitiço

Pudesse eu ter te em mim Podar ramos fora de tempo Entreter-te com o meu olhar Simular a tua alegria Ser fascínio transversal Ser teu Deus, ser teu altar   Fizesse eu do tempo feitiço Transformismo, alucinação Desvario coisa ruim, Pecado, loucura, ilusão.   Entre passos cambaleantes Sorrisos áridos, desertos Cheia de ti está a minh´alma De abraços que senti Sob a luz incandescente Sobra terra, sol e nevoeiro.