Consubstanciar
Sou sempre pequeno de idade, insuficiente em sabedoria, parco de ideias, escasso nas decisões mas abundante em ideais, assim me descrevo como homem. Tenho poucos amigos e gosto muito, de poucas pessoas. Por vezes entendo-me como uma aberração desprovida de sensatez, ou capacidade de criar laços. Sou demasiado exigente, pouco normal, mas cheio de uma normalidade que acho tão comum e rara. Não gosto de “bons gostos”, de bom senso, de moda, carros, telemóveis, essas coisas. Não me dizem nada, essas mundanas iguarias. Uma parte de mim quase não sabe falar, outra não se cala. Meia parte de mim é alegre e raramente ri, outra chora por nada e por quase tudo. Estar sozinho é a minha companhia, quando acompanhado fico enfadado, sem espirito de identificação ou pertença. Conheço-me tao mal que, acho que ninguém me conhece. Não tenho crises existenciais, mas sinto transmiti-las a quem me julga conhecer. Gosto de viajar sozinho, ver concertos sozinho, ir ao futebol sozinho. Estar acompanhado assu...