Se até as flores rebentam nas pedras,
Se até as flores rebentam nas pedras, como pode o amor morrer em mim? Se o amor é uma morada sem endereço por ser habitação permanente e imutável, pode a temporalidade despejar-nos dessa direcção como se não cumpríssemos o pagamento devido? O amor não tem preço, tem um simples valor incalculável, sem quantificação em medida de troca comercial possível. O amor tem tanto de fogo como de mar, tanto de dilúvio como de planície. O amor são os dias todos em que vivemos mesmo desapaixonados, porque o amor não é a paixão. O amor é o precipício que fica depois da razão, bordado a arco-íris como uma lança acertada no coração dos que amamos, de todos os que amamos assexuadamente amados. O amor é a soma dos momentos em que quero bem, em que me quero bem. A elaboração do amor torna complexa a sua simplicidade.