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Cheiro ix

Forte cheiro de aroma e recordação das mais de mil poesias guardadas nos dias por ler.   Um outro trago e, afabo todo o mar de uma só vez,  por não querer que o mundo me seja sóbrio, sentido, sensato e irreal, nesta fundação de mim mesmo ébrio.  Outro dia. Mais um dia.  Só um dia me descreve. O dia que findará na noite eterna e ausente, nos mais de mil poemas por lapidar.        

obra prima ou meia irmã

Rogo pelo fim do tédio das cabeças "descondizentes" com os sorrisos que me massacram o corpo.   Já nem um sorriso esboço quando, cai do beirado, uma gota de orvalho pela manhã fria e deserta. Deserto é sempre os dias em que me querem dizer o que não quero ouvir, e muito mais do que ouvir, saber ou querer sequer saber.   Não me interessa o tédio da vida alheia. A minha basta-me. Sobra-me até. De miséria chega-me bem. Odeio quem não gosta de ser só, e inclui quem à mão se presenteie.   Rogo pelo fim, mais do que pelo principio. Qualquer tela depois de pintada, não será mais virgem, no entanto, pode-se “revirgindar” por uma obra mais prima ou meia irmã.

Viver sem máscaras

Viver sem máscaras com uma única máscara de viver sem máscaras.   Viver sem máscaras é renegar o direito de sentir o que não é suposto sentir, e não há nada supostamente que não se deva sentir.    Não há sentir errado e fazer certo, a escolha de fazer certo a sentir errado é: - o convite à máscara única de viver sem máscaras.    Há livros desnecessários de ler.   Como tudo na vida, a oportunidade faz o ladrão, o engenho, a ilusão, etc.   A egoíca necessidade - faz de tudo -  

Verde idade

a verdade é o que sinto muito mais vezes, do que o que eu penso.    a verdade é sempre o que eu sinto, nunca o que os outros pensam.   a verdade, na verdade, não é um pensamento.  

Praça e o lago

A noite esteve adocicada no seu cheiro, iluminada de olhos e pessoas que por ali estavam, sem que eu as tenha visto.     Gosto de não reparar no que que me rodeia. É raro.  A noite distraída gastou o tempo, sem que eu tenha sentido o tempo para além de nós.   O castelo e o rio, a praça e o rossio, juntaram o mundo numa noite sentida pela distracção da paz.   

Eles

" ... Vou explicar te uma coisa. Quem escreve, escreve sobre o que observa, o que ficciona, o que cria e às vezes sobre o que sente. Amontoa palavras e purga-se. Nem sempre quem escreve é um pobre coitado. Quem o faz, faz companhia a ele próprio e purga-se na impossibilidade de se sentir acompanhado. Geralmente são pessoas que têm desinteresse em conversas enfastiadas e desinteressantes e, a vida dos outros, nada lhes interessa.  Alguns têm uma vida horrivelmente normal das 8 às 17h ... e, são também "normais" quando precisam de um salário. Chegam a desempenhar bem as suas funções... São pessoas de amor, em desamor continuado e escolhido. Para que conste ...."

Junho III

O prazer foi-se. A dor mantém-se, quiçá aumenta e recomeça tudo outra vez. É assim desde sempre.