Postagens

Ao que chamo tempo é apenas memoria

Ao que chamo tempo é apenas memoria. A memória sim é o tempo que guardo, vivo e esperanço. Só tenho memória e da boa, atulhada de boas e malvadas recordações. Tempo não tenho, sou apenas a simbiose do que gasto com o que uso, com o que me há-de ser cedido pela memória. Memória, essa amaldiçoada e bendita farsa e verdade. Ao que chamo tempo é apenas memória.

a perfeição gera confusão aos meus defeitos

a perfeição gera confusão aos meus defeitos

Parti

Domingo. Cruzei-me com gente vestida da fé professada com indumentaria a rigor perfumada de naftalina. Eu barbado e transpirado, bebi um café surpreso por quem me o serviu, numa aldeia onde todos se conhecem. Penso em turbilhão cada metro que percorro do que me vai na alma. Das nuvens saíam cantares de pássaros migrados em bandos. Parti.

Sou ar venenoso

Saber-me desencontrado fascina-me. Intelectualmente trocado pela razão. A membrana que separa o coração é ténue. Dilato os vasos sanguíneos. Troco o ar respirável pelo irrespirável. Sou metano poluente. Sou ar venenoso. Reajo á química e purifico. Sinto as artérias na barriga. Descompenso. Esquiziofrenizo. Destaco-me em burburinho na multidão.

Alivia-me ter que viver

Alivia-me ter que viver.

dias urgentes

dias urgentes de calmaria, mar sedento de promontório, o equador tranquilo e quente invertendo o céu, confirmando a terra de um deus descrente , como se a terra fosse brava do chão que eu piso, e soalheira no peito onde ad ormeço.

o cheiro que arde do fogo que se plantou em mim

"... as nuvens descem em fim de tarde ao encontro do chão, esse chão de terra em grão, que me espera no fogo que arde no velho fogão cansado, na esquina entre as janelas de vidros empalidecidos pela idade. Adivinho mais do que creio na música que o vento toca nas árvores. Creio mais do que adivinho no cheiro que arde do fogo que se plantou em mim.