Tenho sorte do mar estar lento e o tempo a desmoronar-se em mim, como a música que me seduz a ficar mais um dia em todos estes anos adocicados de mundo. Tenho a sorte da cidade se fechar e a planície se abrir para me receber.
Estou fantasiosamente apaixonado pela terra a que pertences, pelas mãos das árvores que circundam o caminho onde te deixo, até a luz do prédio se apagar. Entraste-me em casa!
Na poesia frequento sítios que desconheço, paisagens que nunca vi, e cheiro até a terra que me havia de sepultar, caso eu não a fintasse, e escolhesse as cinzas doadas ao vento a 150 kmh na A1 ao km 93. Fantasia da poesia frequentada!
As coisas, uma a uma, vão-se encaixando no lugar delas, no sítio e no tempo das nossas vidas, no local onde têm de estar. Elas decidem. A nós passageiros, pede-se somente que ocupemos o nosso lugar e nos encaixemos no sossego das estações.