World Press Photo
Exposição no CCB que se preze, tem que ter ar snobe. Tem que cheirar a Armani e Channel. O café tem que custar um euro. Uma familia pequena para entrar tem que gastar 10 euros. Mesmo que seja para ver umas fotos famosas de uma guerra encomendada pela USA, ou simplesmente a passagem do Katrina pelo sul do mesmo País. Pensei !.. Porra os Americanos tem tudo. Têm guerras em que nao são convidados mas entram. Do Vietname para cá nao pararam. Metem o bedelho em tudo como dizia a minha avó Nim, que sem saber uma letra, era uma sábia mulher, que sem marido criou quatro rebentos e os fez homens e mulheres aprumados.
Há sim a exposição. Belas fotos. Belos momentos. Cores incriveis de miseria, arrancados a ferros por varios fotografos de renome. Devia servir para pensar, reflectir, fazer alguma coisa. E não para mostrar a uma data de "gente", eu incluido, que numa atitude voyeurista, entra pela intimidade sagrenta daquele povo inocente, que morre aos bocados entre fogo, entre sangue.
As crianças morrem por ir á escola. Morrem por jogar á bola. Ficam sem braços por saltar á corda. Ficam sem pernas por jogar á roda. Os homens de direito nada fazem. Melhor, fazem cimeiras cheias de regras, somente para adiar o inadiável. Vim agoniado do CCB. É demasiado rude aquela arte. Demasiado erudita. E os pormenores das legendas. Do género "dia x pelas xx.yy horas, ataque bombista num autocarro com crianças que.........escola".
Ou entao "criança com braço amputado, após.........." Poupem- me. Apanhei uma criança a dizer "eles ja são tão pobres e assim ainda ficam mais" A mãe, loira, carregada de ouro, cheiro de perfume caro, com umas "mules" nos pés, chave de um qualquer Audi a brincar entre os dedos, e o tal casaco preso á cintura para disfarçar o rabo, olhou de soslaio o pequenito e nem um comentario fez. Mas devia. Devia nem que fosse acenar com a cabeça, ou afagar lhe o cabelo. E é assim que vim do CCB numa tarde de domingo. Valeu o bilhete que comprei para 16 nov no Coliseu, aí sim para celebrar Paz. Musica é paz. Seja qual fôr ,de que tipo fôr, musica é alegria. A minha filha partilha do que eu sinto. Ela sentiu como eu. Eu afaguei lhe o cabelo. Ela adormeceu no regresso. Sentia-se segura. Sabia se entre amigos. Ela pode brincar. Ela nao precisa de ter medo da guerra. As fotos que eu lhe tiro , tem côr, céu, sol, chuva, nuvens e o sorriso dela.Que é lindo, lindo, lindo.............
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