Beco dos Parasitas !

Silêncios. A mágica atitude de dividir silêncios incomodativos é uma arte. Dividir silêncios é como enviar um olhar colorido e cúmplice. Os olhares e os silêncios podem ser terrivelmente próximos ou arrasadores. São quentes e gelados. São ódio e Amor. São vida e morte. Pode ser começo e final. Ser orquestra. Ser silêncio, afinal. Ontem senti um olhar envergonhado, silencioso e cheio, de encontro a mim, no final da tarde. O sol já se escondia na serra. Já de madrugada, o silencioso sorriso teimava em acompanhar a lua erguida no céu. “Dentre” as estrelas balançam sons que se ouvem em silêncio. “Dentre” os sons bailam cometas incandescentes, num encadear minimalista. Na madrugada admiro este bailado denso. Turvo pelo fumo que aspiro de um cigarro, e expiro de encontro ao céu. Silêncio que partilho com o fresco do varão onde me encosto, debruçado pela noite dentro. Oiço aqui e ali a matéria a ceder. O barulho quieto da matéria. Tudo se transforma. O mar bate de encontro ao rochedo que cede. Tudo cede, mais tarde ou mais, cede. Cedem as palavras. Cedem as acções. Cede o temperamento. As horas mudam a cada estação. As horas são ditadas pelo tempo. Adiciona saber. Junto ao mosteiro quinhentista, sinto a empatia brotar de uma canção. A melodia junta-se ao silêncio de um abraço. O abraço magico que retempera as horas do sono acordado. Tenho sede. Oiço a água bater na pedra da fonte. Vislumbro o beco dos parasitas. Sitio, onde jaz quem não Ama. Acordado sinto a imaculada febre de viver. O Abril guarda a Liberdade. É tão difícil dizer Amor. È bem mais fácil dizê-lo a cantar. Em silêncio me recolho, observado pela felicidade efémera do desejo. Em silêncio………….Na Tertulia.....

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