De relance !...
Fosse o que fosse que entrasse jamais saia daqui de relance. Relancei-me porque voltei a lançar. Da madrugada nascem pegadas. O ouro com que pinto incandescente os meus olhos, cegam o traço com que desenho o meu rosto cinza. De madrugada fiz um filho. Filho que nasceu de mim. Filho que levarei ao morrer da vida. Pelo caminho esqueço-me das sementes. A chuva há-de apanhá-las. Hão-de se gerar. Tudo se cria. Sinto um frio cerebral abraçar-me. Figuras sociais celebram á volta da mesa, numa romaria que tem vinho. Vinho com cheiro a adega, desempacotado, e sem rótulo. Oiço ao de leve, o borbulhar da fermentação. O suspeito do costume contrai-se. Circulo em contra mão. Não há trânsito nem sinais. Não há sinais evidentes que me forcem a parar. Vou continuar pela madrugada fora, ultrapassando cada cruzamento em contra mão. O esforço rebelde da saudade do tempo que ainda não tive, existe. Figuras incandescentes trespassam-me como equações por resolver. Por resolver continua a contínua desordem instalada na multidão. O fogo de artificio continua por estoirar. Estridente. Fragmentos sociais ferem-me. Resisto. Continuo em contra mão, atropelando o tráfego. Não respeito os sinais. Nem os Divinos. Vou por entre as tempestades e bonanças balançando-me. Cada vez menos conheceremos a Natureza Humana.
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