Planto !...
Entre o deve e o haver fica inscrita a estatística. Manipulo os resultados. Planto a arvore que não plantei. Baloiço o filho que gerei. Passeio-me nas margens, onde não te encontro, sabedor do desencontro. Saber-me desencontrado fascina-me. Intelectualmente trocado pela razão. A membrana que separa o coração é ténue. Dilato os vasos sanguíneos. Troco o ar respirável pelo irrespirável. Sou metano poluente. Sou ar venenoso. Reajo á química e purifico. Sinto as artérias na barriga. Descompenso. Esquiziofrenizo. Destaco-me em burburinho na multidão. De soslaio sinto-me invadido pelos olhares que me cruzam. Cruzo a praça para o outro lado. A solidão afasta-me da alma. Escrevo em passos largos uma prosa sem nexo, invisível. Purga-me. Alivia-me ter que viver. Alivia-me das esperas, quando te espero. Pior, quando sei que te faço esperar. Acho injusto. Saber-te aí desse lado, da ânsia que sinto. Mas não venho. Não vou. Não volto. Espreito da praça para o castelo através das nuvens. Os meus gestos são pesados, estou preso, estou pesaroso. Emagreci ontem. Adormeci num sorriso tranquilo. Enfrentei-me, mas receio. O meu nome é estranho. E se o marido descobre? Escondo-me na margem do rio. O meu Amor é fugidio. Raro. Incolor e insonoro. E se o marido descobre? O meu Amor é agnóstico e ateu. Sou transparente. E se o marido descobre? E se eu acordo a Amar? Salto do castelo para a praça. É alto, mas antes de bater, voei. Voei longe e não voltei. Voltei na migração seguinte rejuvenescido. Africa é logo ali…. Era para lá que eu fugia. Num regresso atempado, para regressar. Desnascer será viver?
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