Se me tivessem avisado !...
Se me tivessem avisado, não teria sacudido a poeira, que enevoava o caminho. Não teria desfolhado as paginas do jornal, teria-as folheado. Não as teria assim arrancado, como pétalas de um malmequer. Como quem arranca o coração da paixão, que não se sente, mesmo teimando sentir. Querer arder de paixão não é uma escolha. Não é um acto. Não é uma graça. Muito menos é uma decisão. É como passear no Cairo, e rebentar uma granada na esquina que se vai dobrar. Imprevisivel. Sem escolha. Gosto de não receber, nem ter que enviar sms. Acho estupido e irrita-me. Adivinho o sol desempoeirado. O Março já passou na França e esta aí. A Noite esta mais quente. Os dias vão mais longe nas horas que aguentam. Aguentamos dias e noites, como se irrepetiveis fossem. Dias somados ao saber do envelhecimento. Particulas de nevoeiro carregadas de brisa transparente, adormecem o passeio que teimo em dar na marginal. Fim de semana marginal. Marginal com margem. Avisto a outra margem, onde chamines fumegam a produção. Existe sentido na ponte que liga os marginais. Gosto de quem não conheço ainda. Quem conheço não desgosto. Mas não gosto de quem conheço e é martir. Aos martires não devia assistir o direito de chorar. Gosto de ensopado de enguias. Gosto de sopa e de fruta. A agua sabe-me bem é incolor. Neste Verão nadarei sem direcçaõ pelo mar adentro. Apanharei pelo fresco a madrugada. Hei-de subir á serra. Cantar, tocar e dançar. Hei-de ler. Hei-de entrelaçar os passos com a vida. Afinarei pelo timbre o cavaquinho.
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