O Jogo
Subi ao monte para gritar. Enfastiado com a promessa adiada de que o meu clube ia ser campeão. Confirmou-se na avenida outrora de Aliados, que não ganhou quem devia. Vê-los baterem-se com, e, pela mesma bandeira não me alegrou. Confirmou-me apenas a escória que são as claques neste País. Confirmou-me a incultura de que são feitas. O fascismo xenófobo que defendem. Não me é difícil ver, o que, e quem, por detrás movimenta, lava dinheiro e o cérebro. Choca-me solenemente, ver seres humanos pensantes ??? Serem guiados a um qualquer estádio, como se de bestas se tratassem, caminhando entre curros improvisados. Salta-me á vista punhos erguidos de uma ira sem sentido, de, e para pessoas iguais, que apenas nasceram a gostar de outro clube. Pessoas iguais e do mesmo clube. E gasta-se, milhões de euros, na credibilidade que afinal o futebol como espectáculo não tem. Não há canal que se preze que não tenha um discursante académico futebolês. Sustentado comentador mais bem formado que o outro, com indisfarçável clubite aguda, a gerir as suas emoções e opiniões. Quantos dirigentes desportivos afinal têm o cadastro limpo??? Quantos foram antes de ser dirigentes, cidadãos com feitos relevantes, vindos de um associativismo que já não existe. Quantos??? Quantos nos cheiram andarem de mãos dadas com a política. Quantos querem devolver o jogo ao jogo? Compram-se jogadores de classe duvidosa, e sentam-se os nossos “putos” na bancada. Compram-se árbitros, treinadores, trocam-se fisioterapeutas, estádios, compram-se clubes até. O Móbil do crime sempre o mesmo. Viver debaixo de um guarda-chuva enorme, impermeável ao fisco e ao do tribunal. Viver a gozar com milhões de pessoas que gostam do futebol como um jogo. Jogo estético, viril, elegante, rápido, e de estratégia. Jogo onde não devia haver lugar para dúvidas ou doping. Jogo onde as pessoas se deviam abraçar. Jogo de domingo á tarde, de família. Jogo pelo jogo.
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