Um minuto bastou
Um simples minuto faz a recordação. Lembra-me o mar a sul. Viagem inventada sem destino por acordes de sudoeste. Rumo a sul. Viagem cega, sem porquês! Risco total. Quanto mais difícil mais feliz. Mais sucesso. Acordo as manhas com beijos. Almoço vento e sol. Passo pelo estreito e volto. Danço com os perfumes de “Colónia de Hierba” de nuestros hermanos. Viagem calma pelo burburinho. O mar bate de madrugada á porta. O fogo queima-me as vísceras. Volto ao templo, disposto a continuar a caminhada iniciada. Desgastei com insucessos a viagem cega. Do outro lado, nos montes marroquinos, ecoam orações lilases aos defuntos. Colo-me pálido á parede, para os ver passar. Oiço rezar. Um rezar brando e choroso. O chorar da entrega de um corpo lilás ao castanho da terra. O mar bate de encontro á muralha, onde os “putos” aspiram fome e solidão. Os turistas guardam momentos de miséria, em troca de uma moeda. Vou fazer uma trova. O tempo urge e o regresso é feito sem pensar. Apenas sinto vontade e desejo. Sinto fé. Regresso de Africa. Pelo Sul. Subo até casa. Pela costa. Finto os meridianos e espero. Os dias seguintes são amenos. O vento empurrou as dunas reboladas. O regresso nunca foi um dia por acabar.
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