Sonho-te
O sitio é calmo. A ilusão de óptica com que o mar me acorda é doirada. Parece-me chegar ao mar com os dedos. O sol faz o seu percurso raso com a vegetação. Esconde-se na hora marcada. Na hora combinada. As gaivotas deitam-se num voo circundante, Exuperyano e nocturno. Na praia os resistentes queimam os últimos passos. Chegam pescadores de esperança. Namoro de olhares. Sento-me no telhado por detrás do farol. A varanda abaulada cheira a livros. O crepúsculo cai em decadência. O som é difuso. È diferente se de encontro á rocha, se de encontro ao mar. Um velho poema é declamado em surdina. Beijo e passeio-me nos teus lábios de seda. O cheiro da noite habita a minha pele. As palavras encolhem a minha solidão. Compreendo que tornaste doce a minha vida. A verdade divergente, da verdade dos homens é o meu mundo. Uso mais do que cinco sentidos, não sei quantos. Fecho-me ao pensar dos que me impedem sonhar. Com o sonho aprendo que não sei. Sonho estar por estar. Ser por ser. Sonho-te a presença. Sonho-te o afecto. Sonho-te as palavras que não oiço. Sonho a vida, porque acordado a vivo. A estrada prateada junta-me ás estrelas. Sonho um possivel sonho.
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