Diante da insanidade das impossibilidades vergo-me
Sinto-me natureza. Nela encontro sinais e quietude. A mãe lua e o pai mar fecundaram-me. O vento devolve-me segredos e questões. Deito-me ao pôr-do-sol com o novo dia. A noite desfaz o preconceito. O azul é salgado nos teus lábios. Sabes a mar. Se sou natureza, não sou impossível. Procuro nos dias, horas e encontros fugir de mim. É como se fosse desacerto encontrar-me. Devia plantar em terra fértil os meus desejos, as minhas ideias, os meus ideais. Detesto silêncio cheio de nada. A impossibilidade dirige-me para a solução. Creio haver caminho na impossibilidade. Caminhos existem. Estou a caminho. Parar dá-me coerência. Encosto-me num muro velho, largo, rochoso e frio. Encavalito-me nas asas de um pássaro e vou. Vou num voo principesco e rasante. Adormeço á beira de um lago que invento. Corro em direcção ao verde que desenho na minha alma. Esperteza no olhar, luz e feitiço. Os abraços estão longe. Não sei se fui apresentado a tal intimidade. Não me lembro. O espírito altera-se em mutações constantes. Sou metamorfose. Hoje vejo melhor que ontem. No último minuto não sou o mesmo que no corrente. Decorrente é a minha viagem. Assim se esgotam as palavras de encontro ao rude troço da loucura. Diante da insanidade da impossibilidade vergo-me.
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