Antítese

Antítese é uma forma de vida. Nascemos em sentido inverso. As estrofes não são simétricas. Carregamos decisões irreversíveis. Somos um projecto iniciado e inacabado . Exportamos beijos por exportar. O caminho inverso é a antítese. Não nasci para fazer o que faço. Não nasci para morrer. A morte não existe. A morte é a recordação da vida, nada mais. Abri um túnel na montanha para não a escalar. Acampei no fundo do mar e abri janelas nas árvores. Dos quadros fiz a minha casa. Comprei nuvens para alugar. Guardo num escaparate um frasco de cheiros. Frasco de momentos quentes pintados de imagens. A música dança ao vento como uma maluca. Pela manha saiu de casa a saudade. Ainda não voltou. Fica pela madrugada fora a falar com estranhos. Fica presa ao pesar do tempo. Não se pode encher a alma de palavras. As palavras esvaziam-na. A alma enche-se de momentos. A poesia já não é uma prenda. Já não descreve o caminho. A poesia pintou Abril. O Abril converteu-se em antítese, como a existência. Grandes vagas embatem de encontro á vida. Não sei se me vou pôr a caminho. Se me perco. Se me encontro. Se me deixo ir pelo beijo, pelo abraço, pela contradição. Sábado três de Maio esta aí….Bem vindo. Fica o sonho de me revisitar.

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