Os arautos do Amor

Os lobos comunicam com o uivar. Encaminham sinais pelas estrelas escritas no céu. Amanhece cada vez mais tardiamente. O encontro fugidio dos amantes é mais espaçado. Geme água das pedras solidárias. O frio gélido invade a alma. O espírito desassossegado e insano não pára de projectar encontros. Encontros que tardam em apagar o fogo da alma do desejo. O desejo de um rio que se mistura com o mar feroz na foz. A lua é testemunha dos amantes. As gaivotas apanham as ondas do mar num baloiçar que invejo. Resume-se a vida aos desencontros. Adormeci hoje pleno de paz. Mais um dia em que olho para o lado e me apetece fugir sem me carregar. Desaguam de mim ideias em desalinho. Sinto-me vagarosamente agitado e cerebral. Inquietante este estar. Está cravado em mim aquele telhado esquinado do mar da Gelfa. O vento que levanta a areia fina e a torna numa neblina sedutora e envolvente sobrevive. A velha ponte de madeira que range ás passadas incertas passa pelo Inverno sem ceder. Não penso mais nisso que o destino há-de abonar. Assim vivem em sentido proibido os amantes. Os arautos do Amor.

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