O que nos divide é o rio
Escrever é o contrario de vestir. Escrever é desnudar. É fantasiar personagens. É mentir com a verdade. É a verdade enfeitada de mentira. A verdade e a mentira são poemas exteriores, invalidáveis. É a anti-mentira e a anti-verdade. É anti memória. O passado não existe. Apenas existem momentos. O futuro existe transformando-se em passado. Inexequível. O crescimento é factual e desnecessário. A maioria das relações são amparos de terceiros. A maioria das relações são sustento do período que encerra conhecimento, com vontade e auto estima. Ser nobre é uma grandeza não humana. O homem por natureza não é nobre. Faz-se. Faz-se de cada vez que é plebeu. O anonimato e a confiança estão intimamente relacionados com erros irreparáveis. A ignorância prolifera. O protagonismo é atroz. As estrelas já não são o que eram. Provavelmente nunca o foram. Mudaram como os meus olhos. Se já não são, nunca o foram. Senão pensaria como Arantes antes da conquista, pensaria como a Castro antes da invasão, pensaria como Fernandes e outros tantos conquistadores. O que nos divide é o rio das Lapas e o Tejo da Barquinha. O que divide a malta é o direito há diferença. Falta de chá é eterna, não se lima. As linhas são ténues e desnudadas…. Ah pois são….
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