Alienado por uma droga que não meti

 


Estas palavras moram nuns degraus ondulados e gastos pelas passadas. Geme água sombria entre as frestas. É sombrio. O sol não abunda mas invade a noite de vento. Não faço parte da sociedade, frequento. Não colaboro. As palavras coloridas e escuras que saltam da tua boca fascinam-me. Pedes-me para mentir. Colaboro. Tempestades de brilho iluminam os teus olhos. Falta-te tanto e queres tão pouco. As estações habitam os teus lábios. Generosa, cuidas dos teus sonhos. Tudo o que podia ser, não é. O amor tem olhos que entornam maresia. Os beijos são palavras dilaceradas na pacatez do silêncio. Os dedos são movimento, são caminho. O toque é fresco e suave. As palavras são a madrugada. Floresço em cada sonho. Dispo-me de mim e roubo-me um sítio a que não pertenço. Atrai-me. Seduz-me. Assusta-me. È vida e morte:


- Pertenço? Frequento?.. alienado por uma droga que não meti. As colinas dançam azul. A floresta tem a cor doce do teu cabelo. O por do sol esbate rubro o novo dia que se levanta ardente. O teu olhar pertence-me. Não pertenço a esta sociedade….mas frequento-a. Ancoro num porto por construir e adormeço o meu olhar.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Blogger Cardílium

O pai natal foi um filho da puta

Prestianni - viva todas as cores !