Pedaço moreno de mar !

 


No final da tarde o vento levanta-se, espreguiça-se, e vai á sua vida. Cantarola ás folhas das árvores e assopra-lhes. Entretêm-se assim nos solarengos fins de tarde de verão, refrescando-os. Os barcos com vela encantam-se diante desta atitude fresca e arejada. As palavras desprendem-se ao vento com ideias. Rajadas de pensamentos são presas por serem políticas, inadequadas. Presas. Não encarceradas. Presas pelo sufoco. Pelo medo. O medo de arriscar. Ao meio do dia já a luz balança e é positiva. O vento virá. A sombra aguça o niilismo que me desgasta. Em minutos renasço. Terra vermelha semeada de solidão é fértil. Jorram torrões de silêncio da terra arada pela fantasia. O norte esta a sudoeste. As rochas emparedam com o mar que escreve com espuma branca momentos que o vento dirá. O universo encontra-se ali. Perpetuo a minha visão naquele cabo de terra. Naquele cabo de mar moreno diante de africa que vislumbro. Por vezes tenho medo da raiva que me invade. Do desrespeito de quem não conhece as noites amargas de frio. Das noites de solidão da distancia. Do medo da esquina seguinte e do adulterado. De um qualquer casal ventoso inventado. Do medo da vida mais que a morte, de ser amado mais do que amar !...

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