Valem os sonhos e a cobardia de um ser assumido
Fujo do meu ser em direcção da alma. A solidão invade-me dentro da multidão. Hipotequei o meu sentir pela a razão. Não sinto vontade de mudar, tenho medo de arriscar. Em nome da liberdade sou submisso. Submisso à razão que não me fascina. Sei que a emoção me gere. Sou encruzilhada, sou dois mundos, sou fome e sede, nascente e abundância. Sinto correr nas veias mil beijos que não dei. Sinto o respirar gasoso dos abraços. A minha liberdade enlouquece espartilhada. A minha prisão é inventada, mas existe. Sou o carcereiro de mim próprio. As semanas de sonhos adiados são adiadas pelas semanas. Os dias não têm noites. As madrugadas florescem como os girassóis, num movimento rotineiro, que acompanha o mundo pelo movimento das batidas do meu peito. A esquizofrenia apodera-se mais de mim em cada acorde que solto na minha viola. As palavras ficam presas nos poemas inacabados em ré maior sem cair em si bemol. Ficam cristalizadas em pensamentos e nos escritos, sem nunca serem luz. Troco-as comigo mesmo e recebo o retorno em crescendo. A mudança é proeminente. As montanhas de lágrimas transformam-se num rio selvagem, que não tem foz. Um rio desaguado. Um rio fantasma que corre perseguindo um mar de abraços. A luz incandescente cega a chegada sem nunca sequer ter partido. Partiu assim a esperança para parte incerta. O vazio estremunhado calou-se definitivamente. Valem os sonhos e a cobardia de um ser assumido.
Comentários
Postar um comentário