19.09.2009
Enquanto todos bebem, cantam e dançam euforia, eu refugio-me na culpa de não sentir. Os olhos baços pela força do fim. O percurso por vezes árduo e fora de tempo acabou. Fora de tempo não existe. Nem sei se existe o tempo. A alegria mais me parece um vulcão paralisado pelo medo. Saí aquele portão com estatuto. Estatuto de não voltar mais. Estatuto para o mundo, não para mim. Sou o mesmo tipo que entrava por ali dentro diariamente embalado pela música. Saí mais pobre deixei as pessoas no seu caminho. Está feito, foi a 19.09.2008. Não me sinto como a maior parte das pessoas. Não sou melhor nem pior, sou diferente. Embriago-me de sentires e tento dormir. Toco, escrevo e leio. A minha comemoração foi em surdina e reservada. Após alguns dias, sinto finalmente uma alegria que me faz andar de sorriso no coração, e de alma iluminada pela satisfação do dever cumprido. Penso em pessoas. Possíveis pessoas que reuniria á volta de uma mesa, onde trocaríamos abraços e olhares cúmplices. Pessoas a quem sorriria. Pessoas que preciso para me sentir pessoa. Não é um fim, foi uma etapa concluída. “Enquanto houver ventos e mar, a gente vai continuar, enquanto houver ventos e mar, que a dependência é uma besta, que dá cabo do desejo, e a liberdade é uma maluca, que sabe quanto vale um beijo”
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