Arvore estrela
A forte sensação do segredo e do pecado mata-me. Viver preso ás convenções é ser parte da convenção. Detesto a cobardia de não me meter ao caminho. Tenho a ver com livros, não tenho a ver com o sítio onde vivem os livros. Não tenho a ver com letrados. Gosto da sabedoria duradoura dos iletrados. Não gosto do bom gosto, de provérbios ou senso comum. Se a nossa liberdade começa onde acaba a dos outros e vice-versa, então o senso comum não existe. Existe as boas ou más intenções pinceladas com atitudes.
Sento me no fresco
Duma velha e grossa arvore,
E solto o meu olhar.
As raízes! Obras de arte.
Entrelaçam-se,
E insinuam-se.
O seu fruto
A sombra
A sua cúpula, eternidade.
A sua vida.
Segredos
Roubados aos amantes.
Banco de pedra, escravo.
Miséria de pranto,
Saudade.
Trespassa,
Um raio de lua,
No meu olhar
O fumo denso
Esfaqueou
O nevoeiro oprimido.
Arvore, estrela,
companhia,
caminho.
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