dez anos

 


Dez anos de vida numa noite. O mesmo cheiro. O mesmo sabor, o mesmo suor. As mesmas lágrimas, o mesmo sorriso. A velha música incógnita transpira das paredes do bar. Corpos seduzem em passos lentos de dança. O novo abraço sabe a antigamente. Os números são rudes, inflexíveis, rígidos. As letras são arredondadas. A sua soma faz a vida. Descreve-se o sentir com letras. Bebe-se café com literatura. Os números baralham as emoções. A soma das letras constroem as palavras que sussurro, rabiscam peças de teatro. São a realidade e o sonho. Tenho uma praia inventada com o mar. Tenho uma montanha debruada de sol. Tenho um sono inquietante e respirado. Os parênteses condicionam, as virgulas invertem. Amor não é, e é apenas uma corrente desorganizada, de sentidos e desejos consentidos. Dez anos de caminho, fervem no meu sangue, misturados com a corrente contrária do sentido. A esquina dobrada do regresso é visceral, tal como o tempo que os dias esgotaram. Faz sentido a volta. Faz sentido a saudade.

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