Pago a conta e brilho

 


Engalanado como se o tempo não existisse, como se no mundo não houvesse mais ninguém, como se apenas sobrasse duas mãos, duas bocas, um desejo, e uma alma, percorro o suave trilho onde me esperas docemente.

De sentir cheio abraço-te como se não houvesse amanha. Vejo a chuva cair em ondas num espectáculo oferecido por Deus em nossa honra, celebrado por nós. Saboreio o calor que emanas como prolongamento do meu ser, do meu sentir. Ontem o sol intervalava em raios o teu cabelo solto e selvagem. As tuas mãos conhecem-me.

A respiração em cadência incerta sopra-me palavras ás cores carregadas de musicalidade, embalo. Adormeço com o sentimento que abandonei o meu corpo, e habito um outro que não sendo o meu, é-me confortavelmente estranho. Canto e adivinho a loucura que eternizo. Quero acertar contas com o tempo. O chão é suave e respeita o caminhar. O caminho faz-se caminhado afinal. Entre as rotas que escolho, deparo-me com a barraca do morro em frente ao mar, onde a felicidade escolheu encontrar-se. As ondas batem ternamente nas conversas e nos abraços que se tornam reais. Harmoniosamente caminho de mãos dadas com a minha escolha, despreocupadamente. Pago a conta e brilho.

 

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