Deixa-lo estar!...Festejemos em sua honra!...
Brutal e ruinoso o meu desajustamento. A realidade com que escrevo ajusta-me. Renego o que escrevo como se de uma foto antiga e ridícula se tratasse. As palavras relidas são dolorosas. Os textos morrem escritos. A vida está nos textos por escrever. Ajusto assim o meu sentir. Olho o imenso mar de gente e agonizo. Recuo, tomo balanço e vou de encontro à vida. A minha loucura casou com a lucidez. A verdade e a mentira são vulgares. Vivêncio estímulos eléctricos a cada ordem de comando do meu cérebro. Cristalizo na minha memória tardes e adormeceres. Noites e acordares. Madrugadas e penumbras. Luz e pôr-do-sol. A lua espia cada passo meu. O meu coração é agora fragmento. As palavras pulam da minha garganta seca. Os meus olhos cintilam de água. A liberdade está a passar por aqui. A maré-alta vem ás vagas, espumando presos atributos que se escondem na areia negra dos sonhos. Está fresco e em crescendo este inexplicável rugir de protesto. O Abril ainda vem em Africa. O Maio está a amadurecer a promessa. O hoje é madrugada. Lá fora imóvel vive o medo que a noite contêm ao clarear. Ai se eu pudesse negociar a vida. Se eu pudesse escolher a forma de partir. Se eu pudesse preparar o festim.
Morreu magistralmente diriam os poetas!... Deixa-lo estar!...Festejemos em sua honra!...
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