Experimento o bom que a saudade tem

 


Eu gosto da praia à hora das gaivotas. Gosto dos azuis esverdeados e das cores turquesas que nascem na ilha. Gosto de me perder no horizonte quando o céu se torna uno com o mar. Penso junto perdido no olhar. Imagino uma rocha desenhado pelo teu corpo. Oiço o mar gritar o teu nome de cada vez que me toca e foge. Percorro o movimento sem lógica das ondas, na lógica do teu andar. Sabe a sal a tua saudade nos meus olhos. Festejo cada dia como véspera do reencontro. Moldo a fantasia como representante do meu fascínio. Descubro no mar uma peça de teatro escrita na areia. Os caminhos que me conduzem plantam uma floresta de ideias. Cultivo canteiros de imaginários, neste avassalador sentir misto de paz e guerra. O conceito lato de igualdade de dor e felicidade subscreve o meu sentir. Soam melodias sopradas por silêncios e olhares cheios de notícia. Sopra em mim a brisa de uma tarde sem vento, debruada com campos intermináveis de sonhos e abraços. Imóvel desço ao mais profundo de mim e calo. Experimento o bom que a saudade tem.

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