No leito jaz o meu corpo exausto
O épico sentir é como uma trova na clareza da decisão. Oiço dias a fio, o esboço de um sorriso clandestino, estranhamente entranhado e íntimo em mim. No leito jaz o meu corpo exausto pela espera de não ter o corpo da alma que me seduz. O lençol branco guarda a imagem que pintaste com o teu sorriso. Guardo os teus dedos cerrados e suaves. Invade-me a cólera do ciúme do amor que não tenho. Invade-me um lânguido pensamento acerca da uma vida que não é minha. Mato a minha decisão sem nunca ter apreendido o método. Sem nunca ter arriscado o baptismo visceral da sudação que o pensamento da privação me causa. As náuseas habitam-me naturalmente. Irei fazer e defender, acerrimamente uma tese acerca do procedimento intra-relacional. Encho de saudade o meu peito. Esta atestado. Não a vou deixar esgotar. Enrolo um cigarro e cuspo fumo ao vento. Ao longe entre verdes montes adivinhados, escuto o brilho do sorriso após cada sinuosa curva. Oiço gemidos de abraços por confiar. Adivinho o mar e o rugir do vento embaraçado pelas nuvens, que pousam em mim. Está escura a noite, a lua nova esta a mingar. Escasseia a ergonomia de um corpo visível apenas, intocável. Beijo te a alma com o coração.
Comentários
Postar um comentário