Albergo-me
Na verdade gosto pouco de pessoas, ou gosto de poucas pessoas. Na verdade os momentos cheios de solidão não me desagradam. Na verdade não sou solidão, porque me acompanho. Não gosto de pensamentos judicativos. Preciso de entender os meus pensamentos e pouco os dos outros. Albergo-me nos meus livros e cd.s, nas minhas passeatas, e gozo pouco em estar com pessoas. Mas existem algumas raridades que me acompanham e não me sinto deslocado. Mas ou é do “cu ou das calças” são poucos seres com quem me sinto assim. Acrescento sempre e passo a redundância, pouco valor acrescentado. As pessoas cansam-me. Há uns dias para cá que me apetece sossego e silencio, e o silencio do ar íris é tão cansativo, como as palavras em noite de lua cheia. È pertinente desaguar num mar inventado, fazer da foz o meu lugar. Desaguar-me ali mesmo num fim de tarde rude e frio. È aconchegante ficar à margem, numa margem baralhada com estrelas, sons e cheiros, escutados da natureza expressa pelas formas do meu sentir.
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