Como se um incêndio me afogasse
Num delírio constante e persistente embalo o meu sentir. Um rio é sempre jovem e renovado. Disfarço que esta tudo bem dentro de mim fingindo por fora. O tempo anda à solta numa correria sem fim. Não sei do meu sítio. O meu sítio é fugaz, o meu ser é perpétuo. Tantas vezes subo aquele monte em direcção a mim, quantas as que desço. Os dias intermináveis de espera maçam-me, torturam a minha vontade e elevam uma desesperançada e desassossegada forma comportamental que me corrói o ser. Suicido-me assim aos bocadinhos numa desenfreada dança de mim próprio. Arranco do meu peito o coração e estendo-o à lua. A brisa dos raios de lua cheia clarificam-no. Sou arauto da minha própria liberdade. Uma onda de tempestade evoca que te amei mesmo antes de te conhecer. Escondo-me dentro de uma nuvem e vejo o sol embrulhar-me na areia duma praia deserta onde o teu peito me afaga. O caminho ficou desenhado na areia e as rochas testemunhas do teu olhar. Perco-me nas horas dos pescadores e das gaivotas, como se um incêndio me afogasse. Sou claridade neste delírio constante.
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