Reinterpreto

 


Remexo nos papéis amarelados que acompanham a minha existência. Sinto cada sílaba actual. Sou fiel ao que creio embora ajustado. Um mar desabrigado esta por descobrir. È vasto e impraticável. Já escrevi paredes, portas de armários e salpiquei de sangue os meus desenhos. Já ressuscitei as minhas crenças. Já fui agnóstico e profeta do que acredito. Sou abstémio mas nem sempre o fui. Estou em permanente dissonância cognitiva. Procuro analogias nas lembranças. Reinterpreto crenças, comportamentos e observações. Sinto-me uno, próximo de um Deus que não creio e desconheço. Ambivalente, renasce em mim uma irracionalidade corporativa de ajuste emocional. E assim vou andando com a cabeça entre as orelhas….observando e sentindo a razão, menos que a emoção.

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