Bendito ópio
Ópio bendito ópio,
Que saras as feridas,
Enchendo-as de sangue.
Relativizas,
Optimizas,
Inventas o gerúndio.
Ópio maldito ópio,
Que sacodes a esperança,
Que tornas terno o sentir.
As palavras morrem na verdade,
Que não se sabe,
Que não se pretende saber.
Fugazes ondas de mares,
Desfazem-se num promíscuo,
Ataque intangível.
Prostitui-se a alma,
Incapacitada de ver que:
“O essencial é invisível aos olhos”.
Ontem não se era bom, e hoje mau,
A verdade não se transforma em mentira,
Pela “desaceitação”.
Os inversos,
Matematicamente compõem-se,
Não se opõem.
Viver pode ser ignóbil,
Não quero,
Bendito ópio.
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