Irreais, cruéis e crassos
O peixe virá à tona tão poluído está o mar,
As ondas esbracejam-se insatisfeitas,
Desaparecem os silêncios das fogueiras acesas à beira mar,
O desejo está enterrado na minha praia,
O areal é a perder de vista, como tudo na vida,
Perde-se de vista as palavras não ditas,
Ficam as roucas vociferadas,
A coragem desvinculada não é imaculada,
Faz-se do tempo adiamento,
Justificam-se as vontades,
A loucura é estatuto,
E a lucidez a loucura,
Embriagado percorro-me
Como o sangue envenenado que frequentei,
Perco-me, encontro-me,
Encontro-me perdido,
O progresso anulou a existência,
Existo nas melodias que invento sem igual,
Desisto dos dois sois que inventei,
Irreais, cruéis e crassos.
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