O magoito !...

 


O Magoito continua lá, intocável. As tuas mãos pequenas arrecadam o enorme que tens para dar. Escorrem-te os caracóis de cabelo pelo rosto. O mar é testemunha das palavras aquecidas generosamente pelo sol, ainda de Maio. A pedra desenhou um sofá onde te aninhas, em contemplação do enorme sentir do medo, da realidade e do sonho.


 


Se acabassem hoje as horas e se eternizasse o momento?


 


O sal solta-se ao bater nas rochas cinza e molha-me a face. Saltitas de pedra em pedra ate ao exíguo precipício onde tocas a agua. Os moinhos desfraldam vontades ao vento. O dia passa-se para a noite. O mar escurece. O timbre certo de cadência do oceano, ritma o avassalador sentir das ondas, sem adjectivos ocorrentes para o momento.


 


A Aguda e a Assafora antecipam-te e prolongam-te, são o teu sul e norte. Eu sou o presente e o sentimento. Fui alegria ás vezes. Alegra-me ser assim. As minhas mãos curvam-se como as sílabas que roufenho arquitecto.


 


Choro lágrimas secretas e invisíveis. Molho de agua as letras, por de cima do que escrevo ao pensar-me, ao pensar-te, ao pensarmo-nos. Aflito cravo um ai num vernáculo desabafado. Dói me o peito de segredo, de desilusão, de omissão, de impotência. Riu-me, tenho fé que o tempo abonará. Tenho um sonho, vários sonhos, um maior que os outros todos. Sei que o tempo abonará.


 


 

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