O rio és tu

 


Apesar da minha ausência e pouca disponibilidade social, tenho reparado no calor noctâmbulo e sonâmbulo pendido na minha janela. Negar parte de mim, seria negar a outra metade de mim. Lufadas imaginadas de imagens apoquentam-me. Sorrio aos discursos socráticos, sinto que ele me acha estúpido. Agora é sonso. Não estranho, penso até que a maior parte de nós, acha os outros obtusos. Subestimar ou atacar é asinino.


 


A falta de coragem é latente. É sempre mais fácil achar que a culpa é de todos, mas não é de ninguém em particular. Não há pachorra para este País de brincar.


 


Ontem partiu mais um dos que eu evoco como poeta de Abril. Outro Adriano, Alegre, Ary, Afonso ou Viegas, que já ninguém sabe quem são. Eleito, fez da força da música liberdade, e do encanto das palavras direito (s).


 


De madrugada dedilho a olhar para as estrelas. Sinto paz quando toco baixinho já tarde. Liberto e invento. A outra metade de mim não me habita, esta atracada junto de um barco branco à vela, num lago entre duas montanhas e um rio. O rio és tu. Velejo e embarco-me, embalo-me nas bolinas sazonais dos ventos de saudade. Adormeço languidamente exausto.

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