Sabes Pai
O teu olhar azul fascina-me. De repente muito de repente, tens dificuldade em raciocinar e articular ate o teu nome. Apesar da dor, de te ver aos poucos a desbaratares, penso e repenso que fiz contigo, uma data de coisas que queria fazer. Essas, não as vou chorar não ter feito. Sei que estas sossegado e em paz. Que a tua empreitada foi feita, que está na hora, e que tens todo o direito a trocares pensamentos e palavras. Vejo te sorrir. O teu olhar azul embebeda-me de vulnerabilidade. Estou forte contigo. Estamos cá. Deus há-de abonar. Obrigado. Nada há a provar.
Sabes Pai, não sou perfeito. Faço muito do meu caminho imperfeito. Mas faço-o. Não espero nem debito que me o façam. Meto pernas ao caminho e faço-o. Ensinaste-me isto e muito mais. Nem sou culpado, nem vitima. Não sou bom, nem sou mau. Não apoio o meu bem-estar em ninguém. Sou autónomo e auto-suficiente. Mas preciso daqueles três ou quatro. São a minha família, que como sabes é muito curta. Tu a mãe e a Joana. A Joana vai embora. Que Deus a proteja.
Estavas cândido hoje quando te vi. Vejo te menos agora. Já não almoçamos juntos, mas estamos perto. Faço questão de te abraçar sempre e todos os dias. Um dia irei recordar esses dias abraçados. E é de dias abraçados que vou andando de abraço em abraço, de dia em dia. Não ligo a muita coisa que me faz mal. Não percebo a inveja, não percebo as más intenções, não entendo tanta coisa. Não tendo nada, tenho tanto. Tenho-me, tenho te, tenho-vos.
Prefiro o silêncio do arco-íris à profana ocasião do vislumbre.
Ver-te-ei.
Obrigado Francisco por tudo.
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