“Cada vez mais, gosto menos de pessoas”

 


A lua continua alta e extravagante. Libertar os outros é libertar o nosso eu. Mandar é do domínio das aparências. As aparências não são de um mundo real. O talento não tem idade, tem estatuto. A liberdade canta-se eternamente. Num céu escuro e pintalgado de estrelas, a lua beijada espiava o poeta. Trovou palavras de o´neill, de agostinho, de ary, de sophya. A liberdade passou por aqui. “Cada vez mais, gosto menos de pessoas”. Como eu entendo.

 

Tal como a madrugada, a desilusão não chegou, como eu esperava. Redonda, obliqua e carregada de formas geométricas, a natureza exprimiu-se em formas que a matemática entende e as palavras expressam.

 

As pessoas carregam cores nos tecidos e sandálias a condizer. Entreolham-se. Caminham de copo na mão com o mesmo treino com que caminham de saltos altos. As pessoas não, as mulheres, que são pessoas especiais. A minha mãe e filha são-no.

 

Tenho que treinar andar de copo na mão sem me derrubar. Tenho que me acostumar a conversas que não sei ter. Sorrir ao humor que não atinjo. Sentar-me sem me esparramar. E entender tanta coisa sem sentido que não entendo. Não sou simpático nem quero ser. Penso e pronto. Penso.  

 

Vislumbro ouro como um garimpeiro fareja o precioso e vil metal. Precioso na sua preciosidade, vil na desmedida, obscena e incoerente procura. A ponte entre a liberdade, a natureza e as pessoas tem como adjectivos, os supra acima mencionados.

 

E “Cada vez mais, gosto menos de pessoas”

 


 

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