FMM 2009
FMM 2009. Mais do mesmo. Cheiro adocicado no ar embrenhado em proporcionadas vontades. O vento prenhe ao final de dia junta acordes que se sustentam. O ar quente e bravio engravida o sonho. Vivos, madrugada dentro, os corpos dançantes transfiguram-se. A música eleva-me e transporta-me mundo fora.
Adormeço nuns braços inventados de brandura. Acordo a caminho do sal doirado pelo mar. Entrelaçados os dedos seguem os instintos enterrados na areia. Deleito-me em suaves olhares cúmplices. Respiro. Convergente acordo com o teu acordar. Queria porfiar os últimos dias eternamente. As gargalhadas sentidas esboçam-me um sorriso nem sempre fácil de conquistar. Questiono a vida feita de lugares, de dias e horas desencontradas. Momentos de coisa nenhuma e de ninguém. Viver ao lado tem sentido insatisfatório. Luto empenhado em conseguir partir. Um dia sei que partirei numa caravela sem destino anunciado. Que pernoitarei onde habitar o sono. Que me alimentarei mais do que a fome que sinta. Que me enlaçarei num sitio único, vestígio do meu sentir.
Há vida para alem do conhecimento infinito. Quadros esfacelados reconstroem-se de pedaços que junto Alentejo fora. A praia que outrora pensei intocável não o foi. Existe o outro lado por destruir. Existe o fascínio dos momentos, odores, cores e mar desigual. O desigual rotineiro faz parte de mim intrinsecamente. O ritmo vivenciado trouxe de volta o retorno. Usarei os últimos dias no cumprimento do propósito. São escolhas feitas em dias de sonho que já o não são.
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