A nossa existência é o nosso patrimonio
Noite de lua nova. Clara, alourada, misteriosa e cheia. Um mosteiro debruado por D João I, do mais desenhado gótico. Um castelo verde juntando um gótico renascentista. A noite! Mãos, beijos, desejos, gemidos roufenhos, palavras, conhecimento. Cheira a verde pinhal, num colo feito de dois. Prazeirosos momentos edificados no sentir. Mãos de prata e lábios de ouro fizeram de mim arauto de uma liberdade platinada. Como te recordo em cada instante seguinte do meu dia, do meu acordar, do meu adormecer. O teu cheiro cristalizou-se em mim. Luxúria que teima em não me abandonar, que me acena em gestos e sonhos azuis, embriagado pela tua boca que me enlouquece. Sinto o teu orgasmo trémulo fundido no meu. Olho os teus olhos raiados de azul pedindo-me prazer e caminho, como a lua. Vejo o teu bronzeado chamar o meu nome. A nossa existência é o nosso patrimonio.
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