Dilacerado

 


Tenho direito à diferença. Tenho direito a pensar. Tenho direito a usar a minha inteligência. Tenho direito á minha massa critica. Tenho direito a não me vender ou emprestar. Tenho direito a tratar-me tão bem quanto o consiga. Ando numa fase politizada da minha vida. Nem tudo o que luz é oiro. Ainda o é menos, o que reluz.

 

- É kafkiano olhar o interior, assumir e gostar.

- É kantiano olhar o interior segundo a ética e as intenções.

- É freudiano e libido o degustar extraido da teoria das emoções.   

 

Escrever não é fazer, é dizer como se faz sem fazer. A escrita tem várias formas de o ser. Vários objectivos, intecções e direcções. Os ombros carregam o peso do mundo. A minha vontade é forte, a força para lhe obedecer é fraca.

 

Dei tempo ao tempo. Esgotou-se sem direcção. Voltei a ter rédeas no tempo. Voltei para mim, inteiro. Sou inteiro. Não importa o que profiram, importa o que na verdade sou. Não me divido em divagantes teorias acerca de traição impessoal, pessoal, ou de origem terceira, como duvidosamente me falava um “conhecido” meu, num telefonema noctívago, dilacerado de amizade. Valho o que fiz por valer. Cefaleia mental aborígene.

 

Não me é difícil pensar:

- Tenho isto, quero aquilo, irei por ali.

 

É-me difícil entender:

- Tenho isto não posso ter aquilo. Mas quero. E como quero, terei.

 

Falta de experiência, infantilidade, sonegação. Não tenho opinião. Aprendi em miúdo o certo e o errado. Aprendi em graúdo, um desaprendido desprendimento, á lei geral do ruído. Aprendi a calar. Aprendi que o mais surdo, é o que não esta disposto a ouvir, e o mais cego o que não quer ver. Chego a tender entender circunstâncias niilistas de advertimento social.

 

Amo assim este sentir. Saudoso de sentir outrora, na areia quente. Os passos certos que enterrei. Lembro o vento e o segredo. A não evolução da verdade. O desprendimento calado e negado. A mentira continuará amantizada. Mais que mentira duvidosa. A confusão de dormir a medo. De acordar sem vida. Por mais que me tente enganar, o meu reflexo narcísico da manha, não me deixará.  

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