O meu primo carlitos

 


Não sei se todos têm um primo como eu. Tipo exemplo. O Carlitos. Eu tinha. Sim, tinha porque já não tenho. Ainda é vivo mas não me é nada. Desfamiliarizei-o. Todos os Invernos no mês de Dezembro, mais propriamente de vinte e quatro para vinte cinco, as marafonas das meias aos losangos a largar pêlo, lá estão depositadas em nome dele. O comentário anual é igual, vindo da minha mãe: - “não sejas assim”, após a minha observação habitual e também anual.

 

Acabou de sair da minha frente. Vê-se que está de férias pela indumentária. A bela da calça de fato de treino, os ténis fluorescentes e uma t´shirt de marca desportiva que não vem ao caso. Gostei do respeito que demonstrou por mim. Falou aprovadoramente do meu título honorífico. “Ó Carlitos vai-te f……” gritava a minha cabeça num ruído que me cegava e ensurdecedia. Cago de alto para se a tua mãe (minha tia) teve um avc, dois, três ou dez. Que raio tenho eu a ver com isso.

 

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, é bem verdade. Estás velho, feio e barrigudo e já não és exemplo. És o mesmo totó que sempre foste. Um menino da mamã queixinhas e fateloso. Eu continuo igual. Irónico. Desafiador. Desafio-me a mim mesmo. Ainda estou a caminho. Só pararei quando não puder mais. Carlitos por mim…. Vai morrer longe. O teu pai era o único de jeito nessa puta dessa casa. Deus o lá tenha, morreu cedo. Quanto a ti e mais uma vez …. Vai defecar à mata!... Ah e leva a Ludovina…….E o Pedrito. A tua vida sempre foi de tantos “inhos” e “itos”….

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