O Natal não é quando um homem quiser?
Ontem inventei uma noite de Natal. Abomino o Natal. Como tal inventei um Natal num Agosto quente. O Natal não é quando um homem quiser? Recebi uma prenda. Várias prendas. Não acreditei nelas, não as guardei, nem ofereci. Destruí-as para que ninguém ficasse com o veneno, em forma de lembrança de laçarote farfalhudo, envolto em palavras soltas, gastas e desiguais.
Guardei uma. A mais valiosa. Uma história. A historia da borboleta cúmplice e intuitiva que convidava sempre as outras borboletas para passear. Revi-te. Sem que o saibas remirei-te. Numa desenfreada e louca correria, imóvel, verifiquei o quanto a expressão se altera numa dissonância hiperbólica, ornamentada e ensaiada de falsas questões, as minhas.
A lua ontem balançava meia, na barragem afogueada. Era noite. Foi Natal. Desaguavam em cascata cadentes estrelas. Vi mais que duas, nesta noite decadente de Natal. Como me apraz as tentativas de entendimentos vazios. Satisfaz-me o entontecimento geral, ao entendimento das auto-denominadas fobias à realidade. Na verdade trabalhar afadiga. Na verdade a inteireza não existe ás metades. Não se dão metades a quem se ama, apenas os inteiros e intactos valem a pena. O Natal não existe é uma finta vossa.
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