O que! como! gosto! e amo!...

 


O que me irritam os queques, os betinhos e os loucos de barriga cheia.


O que me irrita a portuguesa alegoria da desgraçadinha.


O que me irrita a soberba importância mesclada de ignorância.


O que me irritam as óbvias conclusões ao indiviso.


O que me irrita afinal Portugal já não ser um País.


O que me irrita o novo-riquismo disfarçado de diferenças tão iguais.


Também me irrita o velho-riquismo cheio de Antónios Marias, Carlotas e afins.


 


O que me irrita a plena incapacidade de olhar para dentro. Do simples questionar. Do facilitismo e da anti-tomada de decisão, da ajuda exterior, do empurrar o balancé.


Como me irrita a auto-estima ser chamada de grandiosidade e pedestal.


Como me irrita a mim mesmo adoecer com a minha própria incapacidade de entendimento, e ficar azedo do fígado, e corroído de dores estomacais.


Como me irritam belos discursos fartos de palavras mas livres de acções, esvaziados de acções mas fartos de palavras gentis, coitadinhas, boazinhas, mas inofensivas e ausentes de auto-critica.


Como me irrita ter que usar ou usarem-me e ainda me acharem cúmplice de uma liberdade que teimo ser minha, conquistada, arrancada a ferros, melhorada, dividida, evoluída.


 


Irrita-me não parar mais a caminhada que já vai longa e me faz doer as pernas. Já preciso de um ombro e me meter um sorriso na cara.


 


Gosto de dificuldades, de crianças e velhos, de prostitutas e drogados, dos sem abrigo, de frio mais que calor, da esquerda progressista mais que os “salazarentos”.


Gosto das minorias em geral, dos doentes, dos do bairro do casal ventoso e do Aleixo.


Gosto de solidão, de aprender, de genuinidade, de princípios e conceitos.


Gosto de Mar e do vento. De terra fértil onde fecundem ideais como na grandeza do Prec e da Luar.


Gosto de verdade. De Poesia. De poetas e trovadores.


Gosto de sexo. Oral, vaginal e anal.


Gosto do encantamento do cansaço de não dormir.


Gosto dos meus defeitos tanto como os detesto, assim como as virtudes.


Gosto de mim tem dias.


Gosto da minha viola e moto.


E gosto de férias acho eu.


E por incrível que pareça gosto e preciso de pessoas


Gosto da minha Mãe e amigos.


 


Amo o meu Pai e a minha filha.


 


 


 


 

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