Sem obstar
Sem obstar o pensamento, um rugido violento ecoa. Risos soltos ouvem-se do outro lado do monte. Em caminhos empoeirados cumprem-se promessas de uma fé em direcção ao local de culto. As mulheres caminham gemendo orações devotas, ritmadas, fartas de cadência. Os homens abrem caminho entre silvados e em silencio pisam forte o chão. Ao longe um salpicado de luzes tremulas, descansam as aldeias, silenciosas.
Vou tirar carta de poeta e licença de autorização das palavras. O sentido das mesmas, o emaranhado habitual e a velocidade que me habitam, precisam de ordenação e de ser respeitadas. Preciso de ficar em paz, mais do que em sobressalto. Preciso de me apaixonar e reflectir. Não ter medo, nem ficar oprimido. O pior medo é o de nós próprios. A nossa prisão e opressão, é muito mais o que fazemos a nos próprios, do que aquilo que nos fazem, ou deixamos que nos façam.
O palavra amor esta gasta e suja. Amor é uno, não o sendo não é amor. Troca-se a palavra amor, por uma série de vocábulos que se ajustariam melhor à situação. O amor é raro. Se existe é raro permanecer.
Os dias são como a morte, nascem e acabam. Durante as horas dos dias existe a vida.
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