Sentir farto

 


Instalou-se um sentir farto. Farto de um querer tão farto, como farto de um não querer, tão farto de sentir. A intuição comanda-me os sentidos. Dolentes por um sentir de querer. Embalado por uma música que ruiu nos momentos e afaga os instantes seguintes, fartos de ocasiões. A ambiguidade gere os meus dias. As noites, juntamente com a senhora madrugada, num sonho inventado e descoberto, acompanham-me. A madrugada trouxe-me a notícia em jeito de boa-nova. Envenenada. Adivinhada e sentida.

 

Passeio pelas noites agraciadas p´lo um ar quente que o mediterrâneo exala. Uma luz encaminha-me pela noite cheia. Os barcos salpicam o cais ténue de luzes que aguardo. O firmamento desconjuntou-se aguardando a ordem de regresso a mim. Falta-me o pé nesta maré de enxurrada. O sono não me acompanha. É vespertino este vulcão desconcertante de lama fervente. Aguardo enquanto deixo o meu cérebro comandar o coração. Volto-me em mil voltas desconfortáveis, na esperança do conforto que não tem hora marcada. Virá quando fôr o momento.

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