É adrenalítico este meu sentir de 750 cc
Mais perto do céu observo outro planeta que gostava de conhecer. Elevo-me no acto solitário de viajar. O ar quente e deslocado pela velocidade afaga-me. Por momentos o coração bate descompassado de adrenalina, em inclinações na estrada que sobe a serra serpenteada. Os vales salpicados de luz indicam-me um caminho que desconheço. Sei-o meu. Vertiginosa a velocidade desafia-me. Concentrado viajo nos meus pensamentos. Paro. Fumo um cigarro no descanso da serra deserta. Vêem-me imagens. Oiço o ruído da bicharada e vejo o vale plácido e sereno. Vejo ao longe um castelo gótico de telhado verde. Porto de Mós. Desafio o subir das curvas fechados, onde ainda cheira a mar. O meu peito em debandada abre o trilho. Continuo a viagem. Pensamentos reais escoltam-me. Está vento. Já faz frio, neste Setembro que adivinha o Outono. Não existe trajecto, não existe morte, existe a vida. Aproximo-me, a viagem é um momento meu em que não dou pelo tempo passar. É um flash de mim mesmo. É um local onde me resolvo, como se tivesse na minha cavernosa sensatez. É adrenalítico este meu sentir de 750 cc. É “fixe” e faz-me bem.
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