Foi de sonhos que fiz a realidade
Voltei a ouvir o relógio da torre da praça da minha aldeia. Compassado, intervalado e certo. Recordo um quarto ausente no tempo, em que o ouvia dilacerado por um não dormir. Angustiado e desesperançado. Passaram os anos. Voltei a ouvir o relógio da torre. Acordado, escrevo nos intervalos harmónicos de uma liberdade fresca. Horas quentes e fartas de ausência e de sono. Horas recordadas de todas as noites em que o relógio da torre não me embalava. Hoje o relógio da torre da minha aldeia faz-me bem. Faz-me companhia.
Imagino uma figura pequena e corcunda que em cada intervalo de tempo o faz badalar. Não acredito em mecanismos automáticos. Essa coisa dos automatismos não devia existir. Prefiro acreditar na mentira de uma figura que badala o relógio da minha aldeia, do que insistir na história do pai natal. O relógio sabe-se ali. Acompanha-se e sabe historias.
No banco onde me sento olho-o iluminado por o castelo altaneiro, debruçado sobre a praça. Sabe-me bem a praça de madrugada e vazia de pessoas. Vazia de vidas adormecidas. Acordado nas horas justaponho o que fui, o que sou e o que quero realmente ser. Avisto três anos para a frente, um ciclo. Em breve poderei partir. Em breve poderei ser. Gasto o tempo marcado pelo relógio da praça da minha aldeia em minutos de sonho. E foi de sonhos que fiz a realidade.....
Comentários
Postar um comentário