Maço-te? perguntou!...

 


De semblante carregado atravessou a sala dizendo ao seu ego que aquela multidão de três pessoas o observava. O espesso semblante não era mais que a insegurança de cada passada. O medo de escorregar num abismo engendrado por ele próprio. Um abismo traiçoeiro e fascinante. Impossível de se descolar da sua auto-imagem. Era um homem rude e cruel marcado por decisões dúbias. A simpatia, o abraço e a confiança eram de difícil convivência. O silêncio era a sua companhia e a solidão a sua amante.

 

Numa perfumada manhã acordou, sentindo-se um homem novo. Extrovertido, sem bom senso, desprendido das suas diferenças e sem medo de pandémicas e pindéricas epidemias, enfrentou o mundo. Confiou. O sol iluminou-lhe o sorriso. A chuva lavou-lhe o silêncio e a solidão. A névoa abriu-lhe em raios prateados o caminho. O frio juntou-se gélido ás gotas de orvalho que teimaram em não se encontrar ali, á sua porta, rosa escarlate.

 

Forte conduziu o sossego. Todo. Num desenfreado querer solícito. Escolheu uma árvore. Subiu-a. Os ramos dançavam embalando o horizonte que ia e vinha, como uma alucinação induzida por um fármaco escolhido, de uma longa listagem colorida. A juventude já deixara a fantasia desabitada. Rangia como o vento que derrubava as folhas largas. Ao longe, o vislumbre de bandos escuros e minúsculos de pássaros, migravam a sua sorte. Na chegada viva e sã, depois da partida.

 

 

Como ele queria ter sido qualquer elemento que detivesse respostas. As sombras reflectidas das nuvens furavam de forma desautorizada, o sol. Espreguiçou-se. Deixou sair o que imaginou ser a liberdade, mais que felicidade. Deixou-se adormecer no sono mesclado de sonho. Regressou ao fantástico de uma infância dura, que talhou a madrepérola. Pergaminho no seu património.

 

Maço-te? perguntou !...

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