Morro no entendimento de nao pertencer
Morro
Não espero entendimento,
A minha alma foge-me,
Sinto como se observasse e previsse a minha própria alma,
Morro todos os dias um bocadinho de amor porque amo muito,
Amo e morro de saudades da minha filha,
Amo e morro ao ver o meu pai morrer sossegado de sorriso encantado nos lábios,
Morro ao ver a minha mãe não viver, porque a amo,
Morro de morte pela amante que se traiu porque amo,
Calo, e não abraço,
Ainda tenho medo de mim,
Desconforme a minha voz,
Não gosto de me ouvir.
Não pertenço
A minha pertença não se coaduna com a pertença a que chamo normal,
Não acordo certinho,
Almoço certinho,
Não faço a sesta certinha,
O para além do certo é longe,
Para mim o incerto é próximo e já ali,
Não pertenço a marcas nem a grupos económicos,
Não colaboro e gosto de não colaborar,
Mostro a falta de colaboração,
Não dissimulado,
Não pertenço.
Entendimento
Não espero entendimento no desentendimento acerca da pertença ou da vida. Decido por mim erradamente, por intuição. Apesar de estar fora de mim e de me avistar em visão de aquário intuiu-me a mim próprio. Gosto da dor e do que por detrás se esconde. Gosto do roubo do sono, do descontrolo, do esgotamento, da extenuante vida dupla durante as oito horas em que produzo riqueza. Não espero entendimento, nem vida, nem morte, nem pertença. Porque na verdade não pertenço nem aos que de mais próximo me sinto.
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